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sábado, 19 de março de 2011

D I A M U N D I A L D O T E A T R O


MENSAGEM DO DIA MUNDIAL DO TEATRO DE 2011
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O DIA MUNDIAL DO TEATRO é comemorado em 27 de março e uma das mais importantes manifestações por isto é a difusão da Mensagem Internacional, escrita tradicionalmente por uma personalidade de dimensão mundial, convidada pelo Instituto Internacional do Teatro para partilhar as suas reflexões sobre temas de Teatro e a Paz entre os povos. Esta mensagem é traduzida em mais de vinte línguas e lida perante milhares de espectadores antes do espetáculo da noite nos teatros do mundo inteiro.

A primeira mensagem foi escrita por Jean Cocteau (França), em 1962, a do ano de 2009, pelo dramaturgo brasileiro Augusto Boal (que veio a falecer logo a seguir, em 02-05-2009) e a de 2010 por Dame Judi Dench (Inglaterra).

O Instituto Internacional de Teatro, com sede na Suíça acabou de divulgar a mensagem de 2011, que foi escrita pela africana Jessica Atwooki Kaahwa. e traduzido para o português pelo Presidente da Federação Portuguesa de Teatro, Dr. Rafael Amaral Vergamota.



Breve biografia de Jessica Atwooki Kaahwa
(autora da mensagem do Dia Internacional do Teatro de 2011)

Jessica Kaahwa, PhD não é apenas uma dramaturga realizada, atriz, diretora de teatro académico, ela também é altamente respeitada internacionalmente por seu trabalho humanitário. Responsável pela bolsa de estudos da Fulbright, destinata bolsas e concessões numerosas para continuar sua pesquisa e trabalho de campo utilizando o teatro e a mídia como forças construtivas em zonas de conflito e para a melhoria da saúde.

Ela é atualmente professora titular dos Departamentos de Música, Dança e Teatro da Universidade de Makerere, em Uganda, onde também obteve seu mestrado. Todavia, sua licenciatura é da Universidade de Benin na Nigéria, onde também trabalhou como correspondente da Rádio da Nigéria. Em 2001, recebeu seu PhD em Teatro, História, Teoria e Crítica da Universidade de Maryland, EUA.

Escreveu mais de 15 peças de teatro, televisão e rádio, incluindo a "Pedra Fundamental", "Dog Bite-Justice", "Paradise for Ever", "Ecos de Paz" e "Tambores da Liberdade". Ela já dirigiu e atuou em várias de suas peças. Seus créditos incluem dirigir "Rei Lear" de William Shakespeare, "Mãe Coragem e Seus Filhos", de Bertolt Brecht (traduzido em Luganda e excursionou na África do Sul e Washington DC) e ela co-dirigiu o "Soldier's Tale", de Igor Stravinsky. Seus créditos incluem "Cornerstone", "Homens Things" (por Rose Mbowa), "nosso marido Has Gone Mad" (por Ola Rotimi), "Morte aos Cavaleiros do Rei" (por Wole Soyinka) e "Não mais Petróleo Livro" (por Fatunde Tunde).

Grande defensora dos direitos humanos, Jessica Kaahwa implacavelmente levanta a voz para a igualdade de gênero, paz e conflito de comunicação. Ela também tem orquestrado várias iniciativas nacionais e internacionais utilizando o teatro para o desenvolvimento humano e continua sua pesquisa sobre a múltiplas aplicações de teatro em todas as facetas da sociedade.

Kaahwa é adepta do "ensinar fazendo". Suas ações humanitárias também incluem a criação de um centro para crianças órfãs em sua fazenda em Uganda, que lhes permita recuperar os sentimentos de auto-estima e segurança. (onde Madonna passa boa parte de seu tempo livre)

Jessica Kaahwa fala Inglês, francês, suaíli, e a maioria das línguas bantu e em torno de Uganda (fluente em Runyakitara).

Leia a seguir a íntegra da mensagem:
"O TEATRO A SERVIÇO DA HUMANIDADE
(por Jessica Atwooki Kaahwa, traduzido para o português por Rafael Amaral Vergamota, Presidente da Federação Portuguesa de Teatro)

Este é o momento exato para uma reflexão sobre o imenso potencial que o Teatro tem para mobilizar as comunidades e criar pontes entre as suas diferenças.
Já, alguma vez, imaginaram que o Teatro pode ser uma ferramenta poderosa para a reconciliação e para a paz mundial?
Enquanto as nações consomem enormes quantidades de dinheiro em missões de paz nas mais diversas áreas de conflitos violentos no mundo, dá-se pouca atenção ao Teatro como alternativa para a mediação e transformação de conflitos. Como podem todos os cidadãos da Terra alcançar a paz universal quando os instrumentos que se deveriam usar para tal são, aparentemente, usados para adquirir poderes externos e repressores?

O Teatro, sutilmente, permeia a alma do Homem dominado pelo medo e desconfiança, alterando a imagem que têm de si mesmos e abrindo um mundo de alternativas para o indivíduo e, por consequência, para a comunidade. Ele pode dar um sentido à realidade de hoje, evitando um futuro incerto.
O Teatro pode intervir de forma simples e direta na política. Ao ser incluído, o Teatro pode conter experiências capazes de transcender conceitos falsos e pré-concebidos.

Além disso, o Teatro é um meio, comprovado, para defender e apresentar ideias que sustentamos coletivamente e que, por elas, teremos de lutar quando são violadas. Na previsão de um futuro de paz, deveremos começar por usar meios pacíficos na procura de nos compreendermos melhor, de nos respeitarmos e de reconhecer as contribuições de cada ser humano no processo do caminho da paz. O Teatro é uma linguagem universal, através da qual podemos usar mensagens de paz e de reconciliação.
Com o envolvimento ativo de todos os participantes, o Teatro pode fazer com que muitas consciências reconstruam os seus conceitos pré-estabelecidos e, desta forma, dê ao indivíduo a oportunidade de renascer para fazer escolhas baseadas no conhecimento e nas realidades redescobertas.
Para que o Teatro prospere entre as outras formas de arte, deveremos dar um passo firme no futuro, incorporando-o na vida quotidiana, através da abordagem de questões prementes de conflito e de paz.
Na procura da transformação social e na reforma das comunidades, o Teatro já se manifesta em zonas devastadas pela guerra, entre comunidades que sofrem com a pobreza ou com a doença crônica. Existe um número crescente de casos de sucesso onde o Teatro conseguiu mobilizar públicos para promover a conscientização no apoio às vítimas de traumas pós-guerra.
Faz sentido existirem plataformas culturais, como o [ITI] Instituto Internacional de Teatro, que visam consolidar a paz e a amizade entre as nações. Conhecendo o poder que o Teatro tem é, então, uma farsa manter o silêncio em tempos como este e deixar que sejam “guardiães” da paz no nosso mundo os que empunham armas e lançam bombas. Como podem os instrumentos de alienação serem, ao mesmo tempo instrumentos de paz e reconciliação?
Exorto-vos, neste Dia Mundial do Teatro, a pensar nesta perspectiva e a divulgar o Teatro, como uma ferramenta universal de diálogo, para a transformação social e para a reforma das comunidades.
Enquanto as Nações Unidas gastam somas colossais em missões de paz com o uso de armas por todo o mundo, o Teatro é uma alternativa espontânea e humana, menos dispendiosa e muito mais potente.

Não será a única forma de conseguir a paz, mas o Teatro, certamente, deverá ser utilizado como uma ferramenta eficaz nas missões de paz."

FONTE: http:// teatro plural.blogspot.com

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