Gold Clock

quinta-feira, 13 de março de 2014

A HISTÓRIA DE EMMA






                                     

A HISTÓRIA DE EMMA

TEXTO DE GIBSON MACHADO ALVES




Marcello Olympio de Oliveira Barroca era filho de Victor José de Castro Barroca e nasceu em Ceará-Mirim no dia 16 de janeiro de 1856 e faleceu em São Gonçalo do Amarante.
Estudou na Inglaterra e lá conheceu a inglesa Emma Thompson nascida em 30 de novembro de 1854. Emma casou-se com Marcello e veio morar no Brasil, precisamente em Ceará-Mirim, no Engenho Verde Nasce.
Em 1880 Emma fica grávida de uma menina e, no dia 07 de fevereiro de 1881, quando está para dar à luz de sua filha, o parto complica e ela vem a falecer.
Marcello manda sepultá-la no ponto mais alto de uma colina na propriedade do engenho Verde Nasce, um lugar especial onde o jovem casal ia todas as tardes apreciar o pôr-do-sol que desaparecia à sombra do canavial. Tal atitude se deu porque a igreja não permitiu que sua esposa fosse sepultada no cemitério da cidade, uma vez que ela era de religião anglicana.
Seu túmulo foi mandado construir com proteção de grade de ferro vindas da Inglaterra e sua lápide foi confeccionada em Mármore de Carrara e trazia inscrito: “Sacred to the memory Emma – the beloved wife – Marcello Barroca. Born November 30 th 1854. Died February 7 th 1881”.
O casal teve uma filha que se chamou Emma Barroca em homenagem à mãe. Quando Emma completou 17 anos, em 03 de dezembro de 1898, casou-se com seu tio (viúvo) Apolônio Victor de Oliveira Barroca. Desse casamento nasceram 04 filhos, deixando descendência: Maria do Carmo de Oliveira Barroca; Jayme de Oliveira Barroca; Clarice de Oliveira Barroca e Maria de Oliveira Barroca.
Muito tempo depois, quando o Verde Nasce já não pertencia mais a família, começaram a surgiu histórias sobre as jóias que teriam sido enterradas com a jovem Emma e, também, começaram a surgir causos de assombrações em que a inglesa aparecia pedindo para que recuperassem aquele tesouro.
Ninguém sabe ao certo se a história procede ou se apenas são causos do imaginário popular. O certo é que o túmulo foi violado e, atualmente, restam os escombros do antigo jazigo. As grades de ferro e a lápide de mármore estão guardadas com os atuais proprietários do engenho.
Recentemente o diretor da Fundação Nilo Pereira Waldeck Araújo tentou fazer a restauração do túmulo, no entanto, a proprietária do engenho solicitou que ele se retirasse do local e que ela não autorizava tal ação.
É lamentável um caso como esse porque todos esses anos a velha ruína ficou em total abandono, exposta às intempéries do tempo. Esperamos que os proprietários do Verde Nasce, principalmente àqueles da área onde está localizado o túmulo, tenham um projeto que o salve da total destruição, afinal, é um monumento que faz parte da historia daquela região e precisa ser urgentemente restaurado, quem sabe, com isso, a inglesa possa descansar em paz (e nós também!!).






 TEXTO DE JADSON QUEIROZ ALVES







INÁCIO DE MEIRA PIRES

Inácio de Meira Pires, nasceu em Ceará-Mirim, no ano de 1928, na antiga rua São José, vizinho ao Centro Esportivo e Cultural. Descendente da estirpe dos Meira, sendo o Eminente Humanista e Jurista Dr. Olyntho José Meira, o seu bisavô. Desde muito cedo despertou-lhe a vocação teatral, fazendo teatro no quintal de sua casa. Estava nascendo aí, o maior homem de teatro do Rio Grande do Norte e o primeiro Teatrólogo filho de Ceará-Mirim.
Vindo morar em Natal, fundou o Teatro Mocidade e o teatro de Bairro. Escreveu a sua primeira peça que se chamou de Destino. Aos 19 anos ocorria o lançamento da sua comédia, nacionalmente, O Bonitão da Família, por nada mais, nada menos do que o maior ator da época Procópio Ferreira. De então em diante, não fez outra coisa, senão se dedicar de corpo e alma ao teatro, quer seja escrevendo, dirigindo ou representando.
Na peça - ainda inédita - O homem é o lobo do homem - a evocação do Ceará-Mirim está presente no diálogo de Bento e Dorinha, lembrando o bueiro do Engenho Jericó, a igreja de torres compridas, a Virgem da Conceição. Nesta peça, Meira Pires mostra todo o seu amor por Ceará-Mirim, a sua terra amada. Lembra o menino da rua São José, que passou a sua infância entre o seu Jericó e a rua que tanto amava.
Foi Meira Pires, o primeiro filho do Nordeste a ocupar o cargo de Diretor do Serviço Nacional de Teatro, onde lançou o Plano Nacional de Popularização do teatro, recebendo por isto, a homenagem da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT), colocando no jardim do Teatro Alberto Maranhão, o seu busto. Além disso, várias placas em bronze assinalam as atividades fabulosas em benefício da cultura teatral brasileira.
Foi biógrafo amoroso e conservador do grande Alberto Maranhão, o mecenas da cultura do Rio Grande do Norte. Por mais de vinte e três anos Diretor e Superintendente do teatro Alberto Maranhão. Meira Pires fez do Teatro Alberto Maranhão, o seu lar artístico durante toda a sua vida.
Câmara Cascudo certa vez o chamou de Ventania do Nordeste. Na sua posse na Academia Norte-Riograndense de Letras, foi saudado, pelo Escritor filho de Ceará-Mirim, Nilo Pereira, que em seu discurso, chamou aquela noite maravilhosa, de a noite do Ceará-Mirim, pois lá estava o mestre Edgar Barbosa, filho também do Ceará-Mirim.
Na sua saudação a Meira Pires, disse o Mestre Nilo Pereira: “Creio que levais as folhas secas, para que na estrada, às vezes à espera, reverdeçam as árvores do idealismo sempre posto à prova. Mais do que, como disse o mestre Cascudo, ventania, acontece às vezes desabais como furacão. Podemos sentir à distância os prenúncios da tempestade”. Mostra Nilo Pereira, nesta saudação a Meira Pires, toda a força intelectual deste cearamirinense bravo e forte. Escrevendo na orelha do livro de Meira Pires, “Teatro Alberto Maranhão e seu Patrono” disse o escritor Veríssimo de Melo: “Tudo isto é trabalho de um homem lúcido e determinado, que não mede sacrifícios para a consecução dos seus ideais, que ama verdadeiramente a arte cênica e para a qual o teatro é a razão maior de ser de sua vida”. Meira Pires faleceu em 1982.
Vejamos abaixo as obras publicadas e não publicadas de Meira Pires: A mulher de preto (monólogo em dos atos); Um resto de tragédia (tragédia moderna em 3 atos); Teatro (contendo as peças Bonitão da Família e Senhora de Carrapicho); João Farrapo (peça em três atos); Cabeça do mundo (peça em três atos); Teatro que aprendí (estudos); Teatro Alberto Maranhão e seu Patrono (síntese histórica); O papel da Reserva Militar (conferência); Caxias, O Pacificador (conferência); TENAT (Um projeto cultural (discurso); Uma política de Teatro no desenvolvimento do Nordeste (estudo), dentre outras.

A importância de Meira Pires foi questionada pelo magnífico Ator e Diretor de teatro Mucio Vicente no blog de João André. É necessário respeitar as individualidades, os diferentes pontos de vistas, no entanto, na minha humilde opinião, MEIRA é reconhecido internacionalmente pela sua obra. O Serviço Brasileiro de Autores Teatrais (SBAT) reconheceu sua colaboração, à história do teatro brasileiro e do Rio Grande do Norte, alocando um busto de bronze no pátio do Teatro Alberto Maranhão em sua homenagem. Ele esteve diretor do Teatro Alberto Maranhão por mais de 20 anos e nesse período realizou vários projetos culturais relacionados ao teatro. Há ruas e salas de eventos em Natal em sua homenagem.
Penso que não podemos responsabilizar o eminente teatrólogo pela situação em que se encontram os movimentos culturais no município. Na época em que foi Diretor do SNT (Serviço Nacional de Teatro) a situação política e social era outra, o Brasil passava por um processo difícil, uma ditadura que coibia e censurava qualquer movimento artístico.
Acredito que é dever do poder público criar meios e equipamentos que proporcionem o desenvolvimento e a promoção cultural viabilizando o acesso da população as produções artísticas.
No entanto não devemos vincular homenagens a ruas, equipamentos sócio-culturais, etc, às pessoas que “somente” trouxeram benefícios materiais ao município, porque, senão, estaremos correndo o risco de nos tornarmos uma CIDADE NUMERAL.
A contribuição do teatrólogo, filho pobre do engenho Jericó, para a história do teatro em nosso estado está evidente em sua biografia, portanto, acredito que Ceará-Mirim deve homenageá-lo – como fez o SBAT – com um busto de bronze ou denominar – quando um dia existir – um teatro com o seu Ilustre Nome.