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quinta-feira, 13 de março de 2014


 TEXTO DE JADSON QUEIROZ ALVES







INÁCIO DE MEIRA PIRES

Inácio de Meira Pires, nasceu em Ceará-Mirim, no ano de 1928, na antiga rua São José, vizinho ao Centro Esportivo e Cultural. Descendente da estirpe dos Meira, sendo o Eminente Humanista e Jurista Dr. Olyntho José Meira, o seu bisavô. Desde muito cedo despertou-lhe a vocação teatral, fazendo teatro no quintal de sua casa. Estava nascendo aí, o maior homem de teatro do Rio Grande do Norte e o primeiro Teatrólogo filho de Ceará-Mirim.
Vindo morar em Natal, fundou o Teatro Mocidade e o teatro de Bairro. Escreveu a sua primeira peça que se chamou de Destino. Aos 19 anos ocorria o lançamento da sua comédia, nacionalmente, O Bonitão da Família, por nada mais, nada menos do que o maior ator da época Procópio Ferreira. De então em diante, não fez outra coisa, senão se dedicar de corpo e alma ao teatro, quer seja escrevendo, dirigindo ou representando.
Na peça - ainda inédita - O homem é o lobo do homem - a evocação do Ceará-Mirim está presente no diálogo de Bento e Dorinha, lembrando o bueiro do Engenho Jericó, a igreja de torres compridas, a Virgem da Conceição. Nesta peça, Meira Pires mostra todo o seu amor por Ceará-Mirim, a sua terra amada. Lembra o menino da rua São José, que passou a sua infância entre o seu Jericó e a rua que tanto amava.
Foi Meira Pires, o primeiro filho do Nordeste a ocupar o cargo de Diretor do Serviço Nacional de Teatro, onde lançou o Plano Nacional de Popularização do teatro, recebendo por isto, a homenagem da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT), colocando no jardim do Teatro Alberto Maranhão, o seu busto. Além disso, várias placas em bronze assinalam as atividades fabulosas em benefício da cultura teatral brasileira.
Foi biógrafo amoroso e conservador do grande Alberto Maranhão, o mecenas da cultura do Rio Grande do Norte. Por mais de vinte e três anos Diretor e Superintendente do teatro Alberto Maranhão. Meira Pires fez do Teatro Alberto Maranhão, o seu lar artístico durante toda a sua vida.
Câmara Cascudo certa vez o chamou de Ventania do Nordeste. Na sua posse na Academia Norte-Riograndense de Letras, foi saudado, pelo Escritor filho de Ceará-Mirim, Nilo Pereira, que em seu discurso, chamou aquela noite maravilhosa, de a noite do Ceará-Mirim, pois lá estava o mestre Edgar Barbosa, filho também do Ceará-Mirim.
Na sua saudação a Meira Pires, disse o Mestre Nilo Pereira: “Creio que levais as folhas secas, para que na estrada, às vezes à espera, reverdeçam as árvores do idealismo sempre posto à prova. Mais do que, como disse o mestre Cascudo, ventania, acontece às vezes desabais como furacão. Podemos sentir à distância os prenúncios da tempestade”. Mostra Nilo Pereira, nesta saudação a Meira Pires, toda a força intelectual deste cearamirinense bravo e forte. Escrevendo na orelha do livro de Meira Pires, “Teatro Alberto Maranhão e seu Patrono” disse o escritor Veríssimo de Melo: “Tudo isto é trabalho de um homem lúcido e determinado, que não mede sacrifícios para a consecução dos seus ideais, que ama verdadeiramente a arte cênica e para a qual o teatro é a razão maior de ser de sua vida”. Meira Pires faleceu em 1982.
Vejamos abaixo as obras publicadas e não publicadas de Meira Pires: A mulher de preto (monólogo em dos atos); Um resto de tragédia (tragédia moderna em 3 atos); Teatro (contendo as peças Bonitão da Família e Senhora de Carrapicho); João Farrapo (peça em três atos); Cabeça do mundo (peça em três atos); Teatro que aprendí (estudos); Teatro Alberto Maranhão e seu Patrono (síntese histórica); O papel da Reserva Militar (conferência); Caxias, O Pacificador (conferência); TENAT (Um projeto cultural (discurso); Uma política de Teatro no desenvolvimento do Nordeste (estudo), dentre outras.

A importância de Meira Pires foi questionada pelo magnífico Ator e Diretor de teatro Mucio Vicente no blog de João André. É necessário respeitar as individualidades, os diferentes pontos de vistas, no entanto, na minha humilde opinião, MEIRA é reconhecido internacionalmente pela sua obra. O Serviço Brasileiro de Autores Teatrais (SBAT) reconheceu sua colaboração, à história do teatro brasileiro e do Rio Grande do Norte, alocando um busto de bronze no pátio do Teatro Alberto Maranhão em sua homenagem. Ele esteve diretor do Teatro Alberto Maranhão por mais de 20 anos e nesse período realizou vários projetos culturais relacionados ao teatro. Há ruas e salas de eventos em Natal em sua homenagem.
Penso que não podemos responsabilizar o eminente teatrólogo pela situação em que se encontram os movimentos culturais no município. Na época em que foi Diretor do SNT (Serviço Nacional de Teatro) a situação política e social era outra, o Brasil passava por um processo difícil, uma ditadura que coibia e censurava qualquer movimento artístico.
Acredito que é dever do poder público criar meios e equipamentos que proporcionem o desenvolvimento e a promoção cultural viabilizando o acesso da população as produções artísticas.
No entanto não devemos vincular homenagens a ruas, equipamentos sócio-culturais, etc, às pessoas que “somente” trouxeram benefícios materiais ao município, porque, senão, estaremos correndo o risco de nos tornarmos uma CIDADE NUMERAL.
A contribuição do teatrólogo, filho pobre do engenho Jericó, para a história do teatro em nosso estado está evidente em sua biografia, portanto, acredito que Ceará-Mirim deve homenageá-lo – como fez o SBAT – com um busto de bronze ou denominar – quando um dia existir – um teatro com o seu Ilustre Nome.



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