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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

UM POTIGUAR VITORIOSO



UM POTIGUAR VITORIOSO

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O primeiro de casa a sair do sertão para a "cidade grande"




Vem das mãos do próprio Cortez, os traços em papel de sua linha do tempo, que começa no RN, no sítio Santa Rita, no sertão curraisnovense, distante 25km da sede do município. Filho mais velho de uma prole de 10 irmãos, todos eles seguiram caminhos distintos, que mais tarde viriam a se reencontrar no trabalho da Editora Cortez. Estudou em escola rural, caminhando a pé e às vezes a cavalo. Ele foi o primeiro a se transferir para Natal, onde chegou a vender frutas para sobreviver até que em 1955, transferiu-se para o Recife, onde ingressou na Marinha do Brasil. Na Marinha conseguiu fazer o então 2º grau e foi expulso em dezembro de 1964, quando eclodiu a "Revolta dos Marinheiros" na época do regime militar.


Atualmente, a Cortez Editora possui aproximadamente mil títulos Foto: Ana Amaral/DN/D.A Press
Em janeiro de 1965 seguiu para São Paulo, como tantos outros nordestinos, à procura de emprego. Lá passou a trabalhar como lavador de carros e foi incentivado por clientes e amigos a "terminar os estudos". Como não tinha dinheiro para estudar e se manter financeiramente, teve de arrumar um bico para complementar a renda.

Aos 29 anos fez vestibular e matriculou-se no curso de Economia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Passou a conviver com intelectuais de peso como Paulo Freire, em plena efervescência cultural que ironicamente tomou conta do Brasil no período pós-ditadura. "Depois que entrei na universidade minha vida começou a mudar porque morava ao lado de uma editora e comecei a vender livros aos meus colegas de classe".

Assim, Cortez foi somando sua convivência e a paixão pelos livros, dando origem a um projeto ousado: ser editor. Em janeiro de 1980, após desfazer a sociedade, a Cortez Editora inicia suas atividades num pequeno espaço no bairro de Perdizes, região nobre de São Paulo. De lá para cá se passaram 31 anos de história, tornando a editora uma referência na formação e especialização de professores e discentes.

Atualmente, a Cortez Editora possui em seu catálogo aproximadamente mil títulos, escritos por renomados especialistas nacionais, traduções de autores consagrados internacionalmente e também obras de novos intelectuais.
 
FONTE: Diario de Natal

quinta-feira, 9 de junho de 2011

PARABÉNS AOS ALCOÓLICOS ANÔNIMOS -AA




Dia Mundial dos Alcoólicos Anônimos, ou AA - Comemorado para marcar a data da fundação do grupo de Auto-ajuda, formado por homens e mulheres que partilharam entre si sua dependência das bebidas alcoólicas, ocorrida nos Estados Unidos em 10/06/1935. Hoje se estima que existam mais de 2 milhões de membros do AA,  em mais de 100 mil reuniões oficiais , em cerca de 150 países.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

GIBSON E AS RENDEIRAS DE JACUMÃ

RENDEIRAS DE JACUMÃ


Gibson  entregando a revista Preá sobre Ceará-Mirim em que saiu reportagem sobre as rendeiras.

RENDEIRAS DE JACUMÃ - tradição das praias de Ceará-Mirim. Arte transmitida de geração a geração. As rendas produzidas em Muriu e jacumã, no passado, sustentavam as famílias das artesãs. Elas voltaram à atividade em 2003 e, atualmente, as mais velhas, se encantaram, restam apenas sete artesãs produzindo renda. É uma preocupação porque não há incentivo para atrair as mais jovens no sentido de aprender as técnicas.
É emocionante o depoimento de Marta quando diz que ama aquele ofício e fica muito triste porque tem certeza que a renda se acabará em nossas praias uma vez que elas não poderão repassar sua sabedoria às novas gerações. Marta além de confeccionar a renda, cria todos os desenhos... É uma artesã completa. É importante o poder público olhar com carinho para as rendeiras de Jacumã. Vamos pensar em incentivos para a Associação e, assim, elas possam ensinar as jovens da comunidade.
Por que não associar as rendeiras de Jacumã à produção artística do saudoso Mestre Etevaldo? As rendeiras de cerâmica do Mestre correram o mundo. Ele foi premiado com suas rendeiras em todas as feiras de artesanato que participou. Vamos fazer o marketing cultural do município com as rendeiras, assim, como o galo de São Gonçalo, o Cristo Redentor no RJ, O Laçador Gaúcho no RS.
Temos o privilégio de ter várias manifestações populares para escolher como marca de nossa cultura: Cabocolinhos (patrimônio vivo do RN). Mestre Tião (patrimônio vivo do RN), as rendeiras, a obra de Mestre Santana, entre outras. Porém, na minha humilde opinião, as rendeiras de mestre Etevaldo seria a principal delas. Os filhos do mestre, Edvonaldo e Edvaldo, continuam a produção das rendeiras herdadas pelo pai.
No restaurante Naf Naf há uma loja de artesanato e os produtos expostos são oriundos de outros estados do Nordeste. Por que não há obras de nosso Santana e dos meninos de Mestre Etevaldo lá??? Ambos, Santana e Etevaldo estão entre os mais importantes do Estado do RN. Santana inclusive representará Ceará-Mirim e o RN em São Paulo no mês de julho. Fica o questionamento para reflexão.
Quem se interessar em conhecer a Associação das Rendeiras de Jacumã, ela está instalada na Praia de Jacumã. A comercialização das rendas é feita no Restaurante Naf Naf do empresário Jessé que gentilmente cedeu um espaço para onde as rendeiras vendem e confeccionam para os turistas que lá frequentam diariamente. Valeu Jessé, são atitudes como esta que precisamos seguir para fortalecer e preservar nossas tradições culturais.
Fonte:  CEARÁ-MIRIM CULTURA &  ARTES

A NOVA ESTRELA DA EDUCAÇÃO

 

O Rio Grande do Norte tem uma nova estrela e o seu nome brilha na mídia impulsionado por essa força extraordinária das ditas redes sociais. Falo, claro, da professora Amanda Gurgel. O seu pronunciamento feito na Assembleia Legislativa, num audiência pública sobre os problemas da Educação no Estado, foi (continua) mostrado num vídeo difundido no Youtube e no Twitter e, por sua vez reproduzido, milhares de vezes, em saites, blogues e coisas que tais, do país inteiro. Com o mesmo destaque vemos em chamadas de capa em todas as edições onlaine dos principais jornais do país.

Eu mesmo já ouvi a fala de Amanda Gurgel várias vezes. Em todas elas a emoção transborda em mim. Só na noite de quarta-feira foram cinco vezes rodando o vídeo. Na manhã de quinta, mais três, duas delas na companhia de Julinha, a neta de quatro anos vidrada em computador. Sentada na cadeira ao lado, Julinha batia palmas todas às vezes que ouvia e via a pequena plateia aplaudir as palavras da professora Amanda. A emoção do avô foi do mesmo tamanho da emoção do cidadão, no caso mais forte do que a da repórter, comedida. Não me lembro, nestes meus quase 60 anos de jomalismo ter anotado no recinto da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, um discurso tão carregado de verdade e de coragem cívica quanto este da professora Amanda.

Poucos neste país retrataram com tanto realismo o descaso com que o Governo (seja federal, estadual ou municipal) trata o problema da Educação. Impressionante a coragem e a naturalidade - a espontaneidade - de Amanda diante de alguns deputados presentes e da secretária de Educação do Estado. Falou de improviso, fez a sua denúncia e exibiu para todos o contra-cheque de 930 reais, o seu salário mensal. Olhando nos olhos dos senhores deputados, disse: “Com esse salário, os senhores não conseguiriam nem pagar a indumentária que usam para estar aqui”. Silêncio, no semblante de cada um dos representantes do povo um traço de constrangimento. “Eu sou realmente uma professora que pega três ônibus todos os dias para ir ao trabalho e não acho isso bonito. Eu não acho isso interessante. Eu acho que essa é uma situação de opressão”, disse Amanda ao repórter Isaac Lira, da Tribuna do Norte, para uma entrevista que foi publicada quinta-feira, 19, nove dias depois de seu pronunciamento na Assembleia Legislativa.

Outra coisa que chama atenção nessa história da professora Amanda Gurgel. A sua participação da audiência pública realizada na Assembleia Legislativa não mereceu nenhum registro na imprensa local. Nem nos jornais impressos, nem nas colunas políticas, nem na televisão, nem nos blogues. Nem nos rilizes oficiais da própria Assembleia, promotora do debate. A notícia só chegou às redações locais, oito dias depois por conta da explosão provocada pela divulgação do vídeo no Youtube. A imprensa local ficou engolindo mosca esse tempo todo. Não procurou ouvir sequer a opinião dos deputados sobre a denúncia grave da professora.

Tem outro detalhe que “descobri” vendo o rosto jovem e bonito da professora Amanda, sua voz firme, corajosa, clara, fazendo didaticamente uma denúncia grave, o brilho de seus olhos, os cabelos cacheados caindo pelos ombros. Vi e revi essa imagem várias vezes nas repetições do vídeo, conferi na reportagem da Tribuna do Norte e na entrevista que ela deu para TV Cabugi. Vi no rosto da professora Amanda Gurgel semelhança forte com o rosto de Nísia Floresta Brasileira Augusta. Mais nitidamente forte ainda na comparação dos cachos, no jeito dos cabelos. Nisia Floresta, nascida Dionísia Gonçalves Pinto, naqueles tabuleiros de Papari, a poeta, a escritora, a feminista, a educadora, a rebelde, a revolucionária de A lágrima de um Caeté.

Liguei para um velho amigo, poeta, kardecista de muita fé, e também catequista que às vezes usa do púlpito para socorrer amigos sonâmbulos de crenças. Disse-Ihe dessa minha imaginação entre a professora Amanda Gurgel e a escritora Nísia Floresta, ambas educadoras, a semelhança física entre as duas que eu constatara comparando suas fotografias, os mesmos cabelos cacheados das duas mulheres rebeldes, corajosas, o jeito que elas usaram - Nísia no seu tempo, há 150 anos, e Amanda, agora, no tempo presente - para defender a causa da Educação. O amigo riu, o riso tranquilo dos que sabem das coisas, mesmo no trato com incréus, uns tantos e outros meio ‘ímpios, e disse: “Nós todos somos encarnações e reencarnações. Nísia pode ter voltado”. E antes de desligar o telefone, perguntou sobre a sangria do Açude Gargalheira e recomendou que eu relesse Opúsculo Humanitário.

Trata-se de um livro de Nísia Floresta, cuja segunda edição (a primeira é de 1853, Rio de Janeiro, Typographia de M.A.Silvia Lima) foi publicada em 1989 pela Fundação José Augusto, quando eu andei por lá, numa parceria com a Cortez Editora, de São Paulo. O livro reúne artigos que Nísia publicou em jornais do Rio de Janeiro. A edição tem uma introdução e notas de Peggy Sharpe-Valadares, professora e escritora norte-americana, com posfácio de Constância Lima Duarte, escritora e professora mineira, a mais importante biógrafa de Nísia Floresta:

- As mulheres romanas assinalaram-se por heróicas virtudes, de que as mulheres modernas não têm dado ainda, como elas, exemplos. Porém, déspotas tais como os romanos não podiam compreender e ministrar à mulher a educação que convém. Os déspotas querem escravos que se submetam humilde e cegamente à execução de suas vontades, e não a inteligência que se opunham a elas e ensinem aos povos a sacudir o seu jogo. Fácil Ihes foi, pois, deixaram na ignorância essa parte da humanidade a quem Deus sem sua paternal previdência aquinhoou de maior porção de bondade doçura

- Quanto mais ignorante é um povo tanto mais fácil é a um governo absoluto exercer sobre ele o se ilimitado poder. É partindo deste principio, tão contrário à marcha progressiva da civilização, que a maior parte dos homens se opõe a que se facilite à mulher os meios de cultivar o seu espírito. Porém, é este um erro que foi e será sempre funesto à prosperidade das nações, como à ventura doméstica do homem.

- A falta de uma boa educação é a causa capital que contribui para que a mulher, no meio da corrupção da sociedade, perca esse norte, o qual não é outro mais que a moral.

No último relatório do ministro do Império, dando conta, ‘à Assembleia Geral, da comissão de que fora encarregado às províncias do Norte o nosso distinto poeta Gonçalves Dias, achamos uma prova do que acabamos de expender: “A desarmonia em que se acham as disposições legislativas de cada província, relativas a tão importantíssimo objeto, a deficiência do método de ensino das matérias, a multiplicidade e má escolha de livros para uso das escolas, o programa de estudos nos estabelecimentos literários, a insuficiente inspecção em alguns lugares e a quase nenhuma em outros, e, finalmente, a pouca frequência e assiduidade dos alunos, são outras tantas causas desse estado tão pouco próspero (...). De tudo isso resulta a necessidade de uma reforma radical na instrução pública, dando-lhe um centro de unidade e de ação que a torne uniforme por toda a parte, e vá gradualmente extirpando os vícios e defeitos que têm até obstado ao seu progresso e desenvolvimento”.

Amanda Gurgel repete Nísia Floresta que repetiu Gonçalves Dias. Me chega Carlos Drummond de Andrade e sussurra pelo corredor: “João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém.”
Fonte:   JORNAL DE WM
            Tribuna do Norte

sexta-feira, 20 de maio de 2011

DO SONHO PROFISSIONAL Á REALIDADE DA SALA DE AULA



Amanda Gurgel é uma militante nata. A professora de Língua Portuguesa que chamou a atenção do país inteiro depois que o seu discurso em uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado foi publicado no Youtube, já foi dirigente do Centro Acadêmico de Letras e do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Logo nas primeiras assembléias do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte/RN) das quais participou, assumiu a postura de oposição e no ano passado se filiou ao Partido Socialista do Trabalhadores Unificado (PSTU). Aos 29 anos, Amanda leva uma vida simples como a maioria dos professores do país: sai de casa às 5h50 e só retorna às 23h, pega três ônibus para chegar ao trabalho, estuda à noite, e tem pouco tempo e dinheiro para lazer.


Depoimento feito pela docente na Assembleia retrata "situação-limite" da categoria Foto:Fábio Cortez/DN/D.A Press
Aos quatro anos perdeu os pais em um acidente de carro e foi morar no interior da Bahia com parentes. Voltou para Natal para cursar a faculdade de Letras na UFRN. Morou na residênciauniversitária e trabalhou durante todo o curso para se manter. Amanda é professora desde os 21 anos. O primeiro trabalho foi no cursinho pré-vestibular do DCE, fase que ela descreve como a melhor da sua carreira. "Era um projeto social e é uma experiência diferente, o perfil dessas turmas é de pessoas realmente interessadas e que estão em um nível de leitura e escrita que você consegue desenvolver um bom trabalho".

Segundo ela, o grande choque com a educação veio quando assumiu uma turma do 6º ano em uma escola municipal de Natal. "A minha maior frustração foi quando entrei na sala de aula para o nível fundamental, em 2005. Eu vi que os alunos do sexto ano não tinham a menor proficiência para estar nessa série, eram alunos analfabetos", recorda.

O sonho de ser professora nasceu no cursinho pré-vestibular. Amanda admirava as aulas da professora Claudina e sonhava em ser como ela. "Ela era uma professora indescritível. Eu olhava para ela e pensava 'é isso que eu quero fazer na minha vida'. Então me tornei professora", contou. Mas e hoje, o que aconteceu com esse sonho? "Eu não sei dizer o que aconteceu com o meu sonho, mas ele não é mais o mesmo, definitivamente. Eu estou em uma fase de avaliação, estou refletindo", disse. A desmotivação vem, segundo ela, dos baixos salários, da falta de condições de trabalho e do analfabetismo dos alunos.

A vida corrida, o desgaste diário e a desvalorização da profissão, renderam a Amanda um problema de saúde que ela prefere não revelar, mas que foi responsável por seu afastamento da sala de aula. Hoje, trabalhando na Escola Municipal Professor Amadeu Araújo e na Escola Estadual Miriam Coelli, ela atua na biblioteca e no laboratório de informática. "Estou em fase de readaptação de função, fora da sala de aula. Assim como eu, existem muitos professores com problemas de saúde em decorrência do nosso trabalho", afirmou.

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Fonte:  Diário de Natal